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Virada Estatística… Virada Criminosa.

A Prefeitura de São Paulo considerou a Virada Cultural 2011 como menos violenta que as anteriores, por motivo de terem registrado menor número de ocorrências em relação aos números das edições anteriores.

Tem dó… Tem dó…

Ocorrência, na opinião da Prefeitura de São Paulo, é ato criminoso adequadamente registrado perante à Polícia Militar do Estado de São Paulo. Não só. Também deve ser registrada no decorrer da Virada Cultural, para que a ocorrência seja contabilizada nessa espúria estatística.

Ocorrência, na minha opinião não burocrática, é todo o fato que ocorre na vida que merece atenção, seja ele relacionado com a Lei Penal ou não. Nesse universo, alguns fatos competem à Polícia Militar examinar, outros não. No que se refere aos fatos que competem à Polícia Militar, alguns foram notificados, outros não. E conhecendo a gestão estadual, nem todas as ocorrências foram reveladas. Isso é uma espectativa normal, já que o mesmo governo que mente nas estatísicas também mente nos prazos de todas as obras públcias em andamento, inclusive e principalmente as do metrô da cidade.

Alguém aí acredita que a cidade ou o estado de São Paulo possuam infra-estrutura para receber um evento da grandeza de uma verdadeira Virada Cultural? De uma copa do mundo?

A Virada Cultural é um evento da Prefeitura, mas as linhas de ônibus não operaram durante 24h. Ninguém me disse isso. Eu esperei, durante uma hora, um ônibus que me levasse da minha casa até o centro da cidade.

Está na hora de o povo verificar a exatidão do funcionamento das coisas que ocorrem para além do umbigo dos próprios indivíduos. Não é porque uma ou mil pessoas tiveram uma esperiência agradável na Virada Cultural que esta deva ser taxada como “bem-sucedida”.

A Virada Cultural 2011 foi rigorosamente vergonhosa, desde seu planejamento, passando pela programação, até a divulgação dos “dados oficiais”, que mascaram as verdades que ocorreram nas ruas.

A cantora Marina Lima apresentou-se completamente bêbada; tomou várias doses de uísque durante seu “showzinho”; desrespitou o público com sua bebedeira e nem sequer era capaz de lembrar uma só letra de música na integralidade. Qual foi o cachê? Alguns milhares de reais, seguramente. Você acha que se embebedar num show é sinônimo de atitude? Sério? Ainda?

Eu presenciei três, pelo menos, movimentações de batedores de carteira e celulares nas imediações do palco dos Beatles; tráfico de drogas (principalmente cocaína) a cada esquina, sem nenhuma discrição; menores de idade entorpecidos; maiores de idade absolutamente incapazes de dizer sequer as horas.

Se a Virada Cultural vai se transformar em um encontro de criminosos, é melhor não haver virada alguma. A presença de alguns policiais militares pode até ter oferecido alguma “sensação de segurança”, mas certamente não seguraram nem suas próprias armas, já que crimes eram cometidos bem debaixo de suas narinas.

A atual gestão usou do conceito de Virada Cultural para cumprir tabela e não deixar o povo sem o “pão-e-circo” que este está acostumado a receber e que o aceita sem pormenores ou ressalvas. Uma aglomeração de despreparados, eleitores e eleitos.

Você gostou da Virada? Então você tem o que merece: a ausencia de preparo da administração pública; a vacuidade das políticas públicas; o desaparecimento dos valores.

Discorda?

Acha, então, aceitável o ocorrido na Praça Júlio Prestes? Acha aceitável o tráfico de drogas a céu aberto? Acha correto a equipagem sonora abaixo da crítica? Acha correto que o povo sofra num evento feito para o povo? Aproveitou-se, por acaso, de alguma irregularidade para ser mais feliz? Acha que isso é felicidade?

Está pronto para se justificar? Ou acha que não deve explicações? Senhor Prefeito, Senhor Governador, acham os senhores que não devem explicações?

A mim devem. O que pensam que estão fazendo como voto que não lhes dei? E você, leitor? Está apludindo os palhaços, ou está pensando em seus filhos?

Houve bons momentos na Virada Cultural, certamente. Alguns deles eu vi, outros, não. Mas, de qualquer forma, foram todos obscurecidos pela baixeza de seu resultado global.

Que vergonha…

E ainda queremos ser referência.

Tem dó… tem dó.

Um breve ensaio sobre o encontro da arte e da ciência.

Publicado em www.projetoquanticodasartes.wordpress.com em 30 de março de 2011.

Projeto Quântico das Artes.

Nitidamente, trata-se do encontro entre o mundo das artes e o mundo – melhor: universo – da física quântica, com a qual mantenho uma duradoura relação de entusiasmo e respeito.

Faz três anos quando me formei na Faculdade de Direito, embora tenha me recusado a buscar o diploma. Na ocasião da defesa de minha Monografia de Conclusão de Curso (Direito Quântico), tive a oportunidade de dialogar com os nobres Mestres da Banca, os professores Carlos Eduardo Boucault, meu orientador na empreitada, Carlos Eduardo Batalha e Rodrigo Tardelli, todos eles acadêmicos da filosofia jurídica que eu e o Brasil têm muita sorte de ter em seu currículo.

Nessa oportunidade, uma epifania interferiu em minhas ideias, ao constatar, por força da arguição do Mestre Batalha, que arte e ciência estavam em busca de explicar, entender, justificar (ou termo que o leitor prefira) rigorosamente a mesma coisa: o Amor.

Nesse sentido, entretanto, não procuremos entender o Amor como aquele sentido pelo pai sobre os filhos; o do cônjuge para com o outro, mas sim o Amor em sentido amplíssimo, de um um ser vivo por aquilo que o modifica; de uma célula por aquilo do que precisa; de uma molécula pelo seu próximo estágio de existência; de uma partícula atômica pela satisfação eletrônica…

Mas onde se encontram a física quântica e as artes?

Uma exigência do princípio do entrelaçamento (descrito pela física quântica) é a de que, em alguma escala do universo, tudo esteja devidamente entrelaçado, interligado, sujeito a interferências recíprocas e intermitentes.

Nesse caso, tanto é verdade que a Lua modifica as marés, quanto é verdade que o artista possui, com sua obra, uma conexão que ainda não pode ser vista ou tocada, mas que existe. A evolução dessa relação, a do artista com sua obra, define, dentre outras coisas: a relevância da obra no contexto de sua publicação, o quanto esta modifica o autor e seu público, a mensuração de seu grau comercial e assim por diante.

Ou seja, a análise do resultado de uma obra deveria referir-se a uma cadeia de eventos e interferências que não pode ser efetivamente apresentada sem a observação de todos esses fatores, dentre os quais destaco os seguintes:

1. Qual a motivação de um determinado indivíduo a dominar um intrumento;

2. Qual o método compartilhado entre professor e aluno com destino a instrumentalizar o apendiz;

3. Como e com que intuito o aluno fará uso das habilidades adquiridas durantes as aulas, durante tanto tempo de esforço;

4. O nível de compreensão que o aluno possui de que tudo o que ele toca, pinta, controi ou escreve tem o potencial ( e condão) de alterar a realidade a sua volta.

Daí dizer que, no Projeto Quântico das Artes, o potencial criativo do aluno floresce antes de seu domínio técnico. Embora a técnica seja um passo importante para concretizar um artista, ela – a técnica -, ou a falta dela, jamais irá impedir ou facilitar que um indivíduo faça manifestar seus sentimentos a respeito de um específico assunto por qualquer meio artístico, seja a música, a arte plástica, a literatura, o teatro, o cinema, ou qualquer outro que não tenha sido contemplado por razão de memória, ou falta dela.

Para o bem ou para o mal, existe, pois, um ramo do Universo em que tudo o que busca o Amor, por meio de arte ou ciência, encontra-se nos diálogos e nas experiências que ousaremos travar aqui nesta publicação. A inexorável conexão de nossos pensamentos e atos será fonte daquilo pelo que luta o Projeto Quântico das Artes: Arte, Ciência e Amor.

Que esta publicação tenha sido uma boa maneira de inaugurar esse blog.

Meus respeitos e desculpas pelas citações não autorizadas, mas inevitáveis para todos os efeitos.

Abraço,

Boa noite e boa sorte,

Paulo Gianini

 

 

Calendário, cores e lá se foram cinco mil anos…

Todos de branco para a virada do ano! Amarelo para dinheiro. Azul para clareza e limpeza! E assim vai.

Sabe por que falo em cinco mil anos? Porque não há registro aceitável sobre quando começou essa história. Não há registro plausível sobre essa tradição, nem tampouco base lógica, ou ilógica para tanto.

Eu sei: toda cor vibra numa certa freqüência (aqui ainda existe trema) específica de luz e se usada determinada cor em momentos específicos do tempo, isso pode fazer com que essas perturbações interajam de modo a canalizar determinada energia para fazer ocorrer determinada intenção no mundo físico perceptível. Porém, por mais à vontade que eu esteja com esse conceito, ainda não consigo acreditar que ele se estenda a uma camiseta, uma calça, ou – no caso dos países ao extremo do hemisfério norte – a casacos destinados a proteger as pessoas da neve rigorosa.

Amigo, a cor por qual você opta usar na noite da virada do ano é rigorosamente, amplamente, direta e indiretamente irrelevante. Irrelevante.

Ainda que aquele conceito sobre as cores, o espaço e o tempo fosse verdade – e não é -, certamente não existe ser humano capaz de provocar tamanha canalização. E mesmo que houvesse, isso não se daria por meio de um pedaço passageiro de vestuário.

Pior que isso: toma como base o calendário. Uma construção lógica puramente conveniente, relativo e extremamente manipulável, eficaz somente para destacar poucas datas importantes que só poderiam ter ocorrido na constância dele próprio, ou matematicamente antes dele. Nosso calendário é uma escolha; há infinitas outras escolhas possíveis para se medir o tempo, mas nenhuma delas permite medir a vontade do tempo de se ajustar às vontades vazias que atribuímos às cores.

Uma curiosidade: lembra dos signos? Capricórnio, câncer, peixes, etc? Eles foram ajustados conforme o tempo que o Sol leva para percorrer cada constelação. Detalhe, ou melhor, defeito: cada constelação tem um tamanho. O Sol não leva o mesmo tempo para passar por cada constelação; cada constelação exige seu próprio tempo; não há simetria. Não há simetria! Antes de acreditar que você é de um determinado signo, pense bem, para não cair nessa ilusão em massa que ocupa um pedaço de cada jornal e milhares de sítios na internet. Bingo! Você foi enganado.

Ok. Como sabe, a intenção aqui não é ofender. Portanto, vamos finalizar com o seguinte:

Não importa a cor com que você passa o ano novo; não importa quando é o ano novo (pode ser qualquer dia); não importa seu signo. Importante mesmo é como você pensa.

25% do mundo comemora a chegada do ano antes; 25% pouco antes; 25% com a gente e 25% pouco depois… Não se iluda. Paz não se faz com branco; esperança não se faz com verde. Seja honesto e justo que a paz está feita; jamais desista e está aí a esperança…

Responsabilidade basta para um mundo melhor. Não perfeito, mas melhor…

Sei que não é o texto de fim de ano que gostaria, mas é o que temos. E não se esqueça: branco no ano novo é questão estética, de vaidade pura; e pela escada que sobe a vaidade, desce a sabedoria.

Qualquer roupa vai bem. É só um dia virando outro.

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