Todos de branco para a virada do ano! Amarelo para dinheiro. Azul para clareza e limpeza! E assim vai.

Sabe por que falo em cinco mil anos? Porque não há registro aceitável sobre quando começou essa história. Não há registro plausível sobre essa tradição, nem tampouco base lógica, ou ilógica para tanto.

Eu sei: toda cor vibra numa certa freqüência (aqui ainda existe trema) específica de luz e se usada determinada cor em momentos específicos do tempo, isso pode fazer com que essas perturbações interajam de modo a canalizar determinada energia para fazer ocorrer determinada intenção no mundo físico perceptível. Porém, por mais à vontade que eu esteja com esse conceito, ainda não consigo acreditar que ele se estenda a uma camiseta, uma calça, ou – no caso dos países ao extremo do hemisfério norte – a casacos destinados a proteger as pessoas da neve rigorosa.

Amigo, a cor por qual você opta usar na noite da virada do ano é rigorosamente, amplamente, direta e indiretamente irrelevante. Irrelevante.

Ainda que aquele conceito sobre as cores, o espaço e o tempo fosse verdade – e não é -, certamente não existe ser humano capaz de provocar tamanha canalização. E mesmo que houvesse, isso não se daria por meio de um pedaço passageiro de vestuário.

Pior que isso: toma como base o calendário. Uma construção lógica puramente conveniente, relativo e extremamente manipulável, eficaz somente para destacar poucas datas importantes que só poderiam ter ocorrido na constância dele próprio, ou matematicamente antes dele. Nosso calendário é uma escolha; há infinitas outras escolhas possíveis para se medir o tempo, mas nenhuma delas permite medir a vontade do tempo de se ajustar às vontades vazias que atribuímos às cores.

Uma curiosidade: lembra dos signos? Capricórnio, câncer, peixes, etc? Eles foram ajustados conforme o tempo que o Sol leva para percorrer cada constelação. Detalhe, ou melhor, defeito: cada constelação tem um tamanho. O Sol não leva o mesmo tempo para passar por cada constelação; cada constelação exige seu próprio tempo; não há simetria. Não há simetria! Antes de acreditar que você é de um determinado signo, pense bem, para não cair nessa ilusão em massa que ocupa um pedaço de cada jornal e milhares de sítios na internet. Bingo! Você foi enganado.

Ok. Como sabe, a intenção aqui não é ofender. Portanto, vamos finalizar com o seguinte:

Não importa a cor com que você passa o ano novo; não importa quando é o ano novo (pode ser qualquer dia); não importa seu signo. Importante mesmo é como você pensa.

25% do mundo comemora a chegada do ano antes; 25% pouco antes; 25% com a gente e 25% pouco depois… Não se iluda. Paz não se faz com branco; esperança não se faz com verde. Seja honesto e justo que a paz está feita; jamais desista e está aí a esperança…

Responsabilidade basta para um mundo melhor. Não perfeito, mas melhor…

Sei que não é o texto de fim de ano que gostaria, mas é o que temos. E não se esqueça: branco no ano novo é questão estética, de vaidade pura; e pela escada que sobe a vaidade, desce a sabedoria.

Qualquer roupa vai bem. É só um dia virando outro.