Prontidão musical: com quantas culturas se faz um acorde?

Quando um compositor ou integrante de uma banda opta por determinado acorde de guitarra, violão ou piano, ele escolhe com base em que? Nem todos os músicos em atividade conhecem teoria musical a ponto de justificarem a escolha de um acorde com base em função harmônica. Nem por isso o músico brasileiro irá se furtar à elaboração de um seguimento de acordes que acompanhem sua melodia. Como escolhemos esses acordes?

Não podemos excluir as hipóteses teóricas por quais uma nota aparece em uma música. Num assunto indiretamente relacionado, não podemos excluir o método intuitivo como forma confiável de compor música.

Se você não gosta, não sabe como ou não quer fazer paralelos teóricos na hora de compor ou fazer um arranjo, alguém vai fazer isso por você. Esse alguém, muito provavelmente, será o Produtor Musical do seu disco.

A produção artística depende de se saber muito bem onde ser quer chegar e, principalmente, como fazer para interferir no seu meio social e causar aquele específico estranhamento ou esclarecimento nas pessoas. Lembrem-se, artistas são movidos pela necessidade de expressar suas inquietações, seja pelo verso ou pelo anverso da sua arte.

Quando um artista revela uma mensagem, o faz em inúmeros planos, desde o explícito, puramente textual, até o subliminar. Este, quando presente, provoca até paralisações musculares.

O mínimo que você precisa fazer pela sua própria obra se chama pesquisa estética (favor ler Rogério Duarte, O direito e o dever da pesquisa estética).

Pesquisar, conhecer, processar dentro de si e transformar conhecimento é a forma que o artista tem de fomentar as próprias idéias e aprimorar a forma e a eficácia da sua obra enquanto potencial modificativo da sociedade. Esse tipo de postura garante a concepção artística da sua obra. A falta de pesquisa deixa sua obra rasa e o conteúdo pouco verticalizado, ainda que sua intenção e sua ideia sejam incríveis. Caso você se pergunte o motivo pelo qual todos comparam sua banda com outra…

O fenômeno da sonoridade enlatada (além de se dever à exploração do mercado pela Indústria Cultural) decorre da falta de pesquisa estética, já que se pretende soar justamente como aquele outro artista, que acaba de “estourar”.

Amigo, se você acha que veio ao mundo para ser artista, por favor faça isso com toda seriedade e acorde de verdade; não seja um sonâmbulo.

Pesquise. Sempre.

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